domingo, 6 de novembro de 2022

EU QUERIA SER MAS NÃO EXISTI

Eu queria muito ser,

mas me perdi no ter,

ganhar ou perder.


Queria muito ser, 

no entanto, nada conquistei.

amizades que pensei em ter,

na realidade, só queriam o meu oferecer.


Como nada pude ofertar, 

Também nada recebi,

nenhum abraço,

ou até mesmo, minhas mãos apertar.


Não fui ouvido, ou levado a sério,

quando gritei por socorro, somente silêncio ouvi,

tudo estava as claras, nada era um mistério,

mesmo assim, eu queria ser:


Ser visto,

Ser notado,

Ser ouvido, 

Ser tocado,

Ser provado,

Ser cheirado,

Ser vivido, ao invés de apenas existir.


Sou a Caixa de Pandora,

essa Supernova prestes a explodir, 

mas não queria ser:


Debochado,

Irrelevante,

Ignorado, 

Evitado, 

Abandonado,

Humilhado,

Inominável.


Eu queria viver, 

mas a morte me abatia a cada planejar,

Eu queria ser vivo, sentir o tempo passar, 

mas não foi me dado essa dádiva.


Morri ao nascer, nasci ao morrer,

pois foi uma tentativa, frustrada,

desapareci ao crescer,

me perdi em mim mesmo,

e agora não sei mais o caminho.


Não tenho nomes, 

nem registro de nascimento,

nem cheguei a nascer, nem respirar, tocar, ouvir, ver, falar nesse mundo, 

somente fiquei na mente de um amor,

que me planejou porém nunca me concebeu,


Infelizmente esse sou eu,

sem passado, presente e futuro,

não tenho nem mesmo um agora,

somente um vazio afora, 

que me agoniza e me destrói,

porém nada sinto.


Eu queria ser, mas de verdade nunca existi, 

nunca deixarei saudades, descendência, farei amizades ou amores, 

fui simplesmente um nascer não nascido, 

um sonho no papel de alguém que muito me amou,

e jamais comigo se importou.


Autor:  Paulo Ricardo P. da Cruz

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