De forma bem intrigante, vamos partir da premissa de que não há nada para se esperar depois da morte. O que aconteceria?
Se isso fosse cientificamente comprovado, as religiões perderiam sua razão de existir, porque tem a missão de pregar a salvação, dizendo que há uma vida além da morte, uma existência imortal, em que os bons desfrutarão dos prazeres do céu, de descanso, justiça, enquanto os maus irão passar por diversos tormentos infernais, perseguições, fome e sede, por toda a eternidade.
Esses ensinamentos maniqueístas vem se perpetuando na história da humanidade desde os tempos antigos. Dois caminhos, duas portas, bem
versus mal, império da luz contra o reino da trevas, entre outras caracterizações.
O modo de pensar mudaria drasticamente. Templos fechariam suas portas e não haveria mais interferência religiosa na política. Seria o fim do império religioso.
Ninguém perderia seu tempo pensando num por vir, em algo que não existe. Certamente estariam aptas a fazerem coisas que antes desaprovavam, ou seja, o AGORA não seria definido pelo medo do DEPOIS.
Muitos dos valores sociais, leis e ações políticas possuem base em ensinamentos religiosos, apesar do Estado ser laico. No decorrer da história isso fica bem evidente, pois é possível identificar várias guerras políticas motivadas e justificadas pelas religiões. Lutavam pelo controle de terras, pelo poder, sendo que matar em nome de seus deuses era permitido. Religiões que ensinavam a não matar, também diziam que matar era uma coisa certa se fosse a vontade de deus.
Com o apoio da religião tivemos episódios de terror, como guerras santas, a escravidão, a santa inquisição, sacrifícios humanos, entre outros. Mas o que poderia acontecer se não existisse mais religião?
Alguém poderia dizer:
- Sem a religião (mono/politeístas) as pessoas vão matar, roubar, desrespeitar pai e mãe, perderão o amor pelo próximo, farão imagens e esculturas para adorar, serão promíscuos e difamadores, cobiçarão coisas alheias, estupradores, entre outras coisas. Mas convém destacar que isso foi feito no passado e está sendo feito por muitos no presente, inclusive por pessoas religiosas, que em nome da fé estão até mesmo matando em pleno século XXI.

Esse certamente é um assunto delicado. Se fosse revelado que não há nada para se esperar depois da morte, que não temos uma alma imortal, os valores sociais, leis e ações políticas antes baseadas em ensinamentos religiosos tenderiam a passar por mudanças, radicais ou lentas. A sociedade humana incorporou muitos valores religiosos e a religião incorporou muitos valores sociais porque ambas são criações do próprio HOMEM. Isso requer uma reflexão: somos bons apenas porque a religião nos ensina a amar? Não. Isso quer dizer que independentemente de sermos ou não religiosos, não deixaríamos de sermos humanos, às vezes, agindo de forma humana e outras agindo como monstros sem sentimentos. As pessoas conheceriam um outro modo de viver fora da dualidade maniqueísta. Muitos ateus, por exemplo, são mais humanitários que alguns religiosos.
Não é possível afirmar que o mundo sem religião seria um caos, melhor ou pior. Mas sem sombra de dúvida, estamos vivendo um caos porque esquecemos de nossa humanidade todo o dia, porque os céus está sendo barganhado/vendido por charlatões (pejorativo).
Aqueles que faziam boas obras só porque a religião dizia que era proibido fazer o mal, se não iriam para o inferno, com certeza começarão a agir na libertinagem. Mas aqueles que faziam o bem porque acreditavam que era o certo a se fazer diante de qualquer circunstância, estes continuarão a praticar boas obras. Se fosse comprovado que não há vida após a morte, todas as ações humanas seriam intensificadas no presente e, talvez ai, descobriríamos a verdadeira face da humanidade.
Autor: Paulo Ricardo Pimenta da Cruz
Fonte: imagens retiradas do Google